RAQUEL GONDIM.
Depois de registrar a consolidação do cartão de crédito como forma de pagamento preferida pelos consumidores, pesquisa da Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio Minas) revela outra tendência: os prazos para quitação do débito estão cada vez maiores.
Segundo levantamento da entidade, em dezembro do ano passado, 75,3% das compras de Natal pagas com o "dinheiro de plástico" foram divididas entre três e seis parcelas, o que corresponde a um aumento de 5,6 pontos percentuais em relação ao mês anterior.
Somente o parcelamento em seis prestações representou 30,9% dos negócios efetuados com cartão de crédito, resultado bastante próximo do apurado em novembro, quando este percentual alcançou 31%. Em seguida, destacam-se o pagamento em três (28,4%), dez (15,6%) e quatro vezes (10,5%).
Já no caso do cartão de crédito próprio, as divisões em três (25%), seis (25%) e quatro parcelas (20%) foram as mais comuns. Nos cheques pré-datados as compras foram parceladas em três vezes em 32,4% dos casos, enquanto 16,2% dos consumidores dividiram em dez prestações e 10,8% optaram pelo parcelamento em duas vezes ou seis vezes.
De acordo com a chefe do Departamento de Economia da Fecomércio Minas, Silvânia de Araújo, embora a escolha por prazos maiores seja crescente entre os consumidores, isso não é motivo para preocupação. Entretanto, ela alerta que a tendência precisa ser acompanhada para não gerar um possível desequilíbrio do orçamento doméstico. Além disso, Silvânia de Araújo chama atenção para o fato de que, ao parcelar seus gastos, muitos compradores deixam de ganhar descontos concedidos nos pagamento à vista.
Diário do Comércio 17-02-2012
Mesmo assim, a tendência é deixar o pagamento para depois. Das vendas realizadas pelo comércio no último mês de 2011, 65% foram a prazo e 35% à vista. Entre os lojistas consultados pela entidade, 92% trabalham com "dinheiro de plástico".
Ao comprar parcelado, 68% das pessoas optaram pelo cartão de crédito, percentual semelhante ao observado ao longo do ano passado. Já os cheques pré-datados, cartões de crédito próprios e boletos responderam, respectivamente, por 18%, 5% e 9%.
Dos cheques recebidos em dezembro, 3% eram sem fundo, mesmo patamar registrado na sondagem anterior. Considerando todas as vendas a prazo, o varejo registrou 2% de inadimplência no último mês do exercício passado. Para evitar a inadimplência, 62% dos empresários consultados pela Fecomércio Minas não aceitaram cheques em dezembro, uma alta de 12 pontos percentuais em relação a novembro. As outras ações mais citadas para conter o calote foram o uso de cadastro próprio de clientes (17%) e a priorização do cartão de crédito (9%).