O Mercado Distrital do Cruzeiro, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, vai ganhar dez novas lojas. Ontem, a Secretaria Municipal Adjunta de Segurança Alimentar e Nutricional apresentou os vencedores da licitação aberta em novembro para a ocupação dos espaços. As lojas devem começar a funcionar até maio.
"Os novos empreendimentos vão tornar o mercado mais aconchegante para o público e atrair novos visitantes", disse o presidente da Associação dos Comerciantes do Mercado do Cruzeiro (Acomec), Wayne Stochiero.
Dentre as novas instalações estão um restaurante, bar, açougue, churrascaria, lanchonete, loja de artesanato e papelaria. A presidente da Associação dos Moradores do Bairro Cruzeiro, Patrícia Caristo, venceu uma das licitações. "Vou abrir uma papelaria. Quero trazer novidades", disse. Semanalmente, 8.000 pessoas passam pelo mercado.
Hoje, o mercado tem 48 lojas e, até maio, serão 58. Participaram da licitação cerca de 40 empreendedores. Os participantes que deram os lances mais altos venceram a licitação. "Os aluguéis vão variar de R$ 70 a R$ 23 mil, de acordo com o tamanho e as condições de cada loja", disse o gerente de apoio ao sistema de abastecimento da secretaria municipal, Alberto Lauro Batista.
Segundo Batista, as licitações serão homologadas até a próxima semana e, em 90 dias, os vencedores poderão abrir as lojas. "Fiquei feliz de ter ganhado e quero manter as características do mercado", afirmou a empresária Sheila Abreu, 38, que vai abrir uma lanchonete com derivados de frutos do mar.
Para a Acomec e a associação de moradores, as licitações foram uma vitória. Desde 2010, eles travam uma briga com a prefeitura pela revitalização do mercado. Uma proposta de construção de dois hotéis foi feita, mas protesto de moradores impediu a construção.
No início do ano, a prefeitura e a associação de comerciantes firmaram um convênio para revitalizar o mercado - as obras devem durar dois anos. O piso e o telhado serão reformados e as redes de esgoto e de energia, trocadas. A prefeitura irá investir R$ 100 mil, e a associação deve investir um valor não divulgado.

Empresários reclamaram ontem do critério para a escolha dos vencedores. O problema, segundo eles, é que o edital estabelecia que seria o vencedor aquele que oferecesse o maior valor para o pagamento do aluguel.
"O lance mínimo para a loja de que participei era de R$ 359, e um empreendedor deu R$ 23 mil. É impossível cobrir essa oferta. Além disso, eu duvido que esse empresário vai abrir a loja por esse preço", disse o professor Cássio Pereira, 44.
A prefeitura informou que, se as lojas ficarem fechadas, haverá uma nova licitação para evitar que o espaço fique ocioso. (NO)
O Tempo 15-02-2012