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fevereiro

  • 15 de fevereiro

    Comida estragada, não

        Denúncias à Vigilância Sanitária por venda de alimentos impróprios triplicam em BH. Foram 10 por dia, em média, incluindo reclamações contra o comércio e a indústria

    Paola Carvalho

     

     
    "Eram lugares caros e de aparência limpa, mas que não cumpriram as normas com rigor" - Ana Amália de Oliveira Macedo, servidora pública que trocou de padaria depois de comprar produtos impróprios

     

    O restaurante serviu uma barata junto com o salmão grelhado. A padaria vendeu pão de queijo recheado de bactérias salmonelas. Por duas vezes, a servidora pública Ana Amália de Oliveira Macedo, de 33 anos, denunciou à Vigilância Sanitária estabelecimentos nos quais teve problemas com alimentos. “Eram lugares caros e de aparência limpa, mas que não cumpriram as normas com rigor”, reclama. “Sobre a padaria me disseram que os ovos ficavam próximos do fogão, o que contribuía para a geração de bactérias; sobre o restaurante não me informaram nada.” Por descuido de quem vende ou percepção mais aprimorada do consumidor, o fato é que o número de pessoas que se queixaram das condições inadequadas de alimentos quase triplicou em Belo Horizonte de 2010 para 2011, ao passar de 612 para 1.812.

    As reprovações incluem restaurantes e estabelecimentos comerciais que vendem comida, alimentos in natura ou industrializados. Por causa de problemas que vão da falta de higiene à ausência do alvará à vista do consumidor, foram registradas outras 1.839 reclamações no ano passado, demanda 1,87 vezes maior do que em 2010. Somadas as queixas contra alimentos e também contra os estabelecimentos, são 3.651 denúncias, ou 10 por dia. Os dados foram levantados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) a pedido do Estado de Minas.

    O aumento das reclamações obrigou a Vigilância Sanitária a intensificar o trabalho de fiscalização e punição. O órgão recebeu um total de 11.822 denúncias em 2011, 8% a mais do que no ano anterior, incluindo queixas contra drograrias, farmácias, clínicas e hospitais. Em paralelo ao atendimento à população, são feitas fiscalizações rotineiras, que verificam desde a documentação até as condições do ambiente e qualificação dos profissionais e processos de trabalho. Das 51.195 vistorias feitas, 10.345 foram em fábricas de alimentos, lanchonetes e restaurantes. Também faz parte do grupo que está na mira do órgão, drograrias, farmácias e estabelecimentos de saúde, que, juntos, receberam 937 visitas.

    “O resultado aumentou, e muito, em razão da própria percepção do cidadão em relação à venda regular de alimentos”, avalia Maria Tereza da Costa Oliveira, gerente de Vigilância em Saúde da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). Segundo ela, a população está cada vez mais consciente em relação aos perigos provocados pelos alimentos impróprios ao consumo. “De maneira geral, a cada denúncia a chance é de 90% do estabelecimento ser autuado ou intimado a sanar pelo menos um problema encontrado”, acrescenta. O órgão informou, contudo, não ter controle estatístico sobre o número de interdições e multas.

    Intoxicações Problemas na área alimentar e saneamento básico são os principais focos no trabalho da Vigilância Sanitária na capital mineira. Somente no ano passado, ocorreram 18 surtos de intoxicações alimentares na capital, revelou a secretaria. O monitoramento resultou na apreensão de 115,5 mil toneladas, o equivalente a 157 mil refeições de 750 gramas cada uma servidas nos restaurantes populares de BH. O patamar é o mesmo do ano passado e, segundo Maria Tereza, um resultado “razoável considerando o tamanho da capital em relação aos outros grandes centros urbanos”.

    No ano passado, na Região Centro-Sul, foram interditados 37 restaurantes, padarias e outros estabelecimentos que trabalham com alimentos. Todos, segundo a Vigilância Sanitária, se adequaram as normas e foram reabertos. Na Região de Venda Nova, as ações da prefeitura foram para acabar com pragas urbanas dentro de sacolões e restaurantes.

    Em relação a saneamento básico, a administração municipal recebeu 5.552 denúncias no ano passado, 728 a menos do que no ano anterior. No caso de drogarias, farmácias e estabelecimentos de saúde, houve reclamações contra 220 estabelecimentos. A Vigilância Sanitária diz ter visitado 376 locais e apreendido 106 mil unidades de medicamentos, a maior parte deles com a data de validade vencida.


    O POVO FALA: VOCÊ JÁ TEVE PROBLEMA COM ALIMENTOS IMPRÓPRIOS?

    “Já passei mal por causa de comida estragada. Só depois fui reparar na sujeira da cozinha onde almoçava todos os dias e acabei mudando de restaurante”.
    wattila danilo de jesus, 18 anos, operador de telemarketing

    “Quem não teve problema com alimento impróprio para consumo? Em duas vezes seguidas, no mesmo delivery, recebi em casa comida com carne estragada”.
    MARCELO ALMEIDA, 47 anos, ANALISTA DE SISTEMAS

    “Já encontrei vários congelados com data vencida em supermercados. Por isso, não deixo nunca mais de conferir os prazos”
    LAURA WANDERLEY, 60 anos, PECUARIST