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fevereiro

  • 15 de fevereiro

    ECONOMIA AQUECIDA »Compras boas, mas nem tanto

    Vendas do varejo cresceram 6,7% no país e 10% em Minas em 2011. Resultados foram inferiores aos do ano anterior

    Paulo Henrique Lobato e Rosana Hessel

    As medidas adotadas no fim de 2010 pela equipe econômica da presidente Dilma Rousseff para frear a oferta de crédito no país refletiram no ritmo de compras dos brasileiros, mas não foram suficientes para esfriar totalmente o ânimo para o consumo. As vendas do varejo brasileiro cresceram 6,7% em 2011, abaixo do registrado no ano anterior (10,9%). Já em Minas Gerais o percentual de alta apurado no ano passado foi de 10%, superior à média nacional, porém abaixo do registrado em 2010, quando o índice a expansão havia sido mais forte, de 11,4%. Os números foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O aumento dos negócios do varejo em menor ritmo tanto em Minas quanto no país também é justificado por outros fatores, como a alta taxa de juro de mercado, a inflação elevada e o receio de que a crise financeira internacional chegasse com impactos maiores do lado de cá do Atlântico. No ano passado, segundo relatório do IBGE, o crescimento da renda no país foi mais modesto, de 3,4%, o que também pode ter refletido na expansão das vendas. Sem tanto dinheiro vivo no bolso, boa parte dos consumidores optou pelo pagamento a prazo. Pesquisa feita pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) em dezembro constatou que 64,27% dos empresários sondados pela entidade avaliaram que a maioria dos consumidores pagariam as compras de Natal com o cartão de crédito.

    A possibilidade do pagamento a prazo, apesar de aliviar a venda, pode aumentar o preço do produto. Por isso, muitos brasileiros estão preferindo juntar o dinheiro para contar com as vantagens do pagamento à vista. Sabendo disso, o porteiro Francisco Leocádio economizou parte dos últimos salários para comprar o sonhado aparelho de som que, ontem, adquiriu numa loja no Centro da cidade. “Paguei R$ 496 à vista. Sabe quanto a loja estava pedindo? Vou lhe dizer:
    R$ 599”, contou o rapaz, que economizou cerca de 18%, em razão de ter optado por não parcelar a compra. O grupo de eletrodomésticos e móveis, inclusive, foi o que mais cresceu em 2011 tanto no Brasil, com salto de 15,3%, quanto em Minas, com alta de 31%, segundo o IBGE. Nesse caso, o estímulo foi do governo, que reduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para a chamada linha branca (fogões, geladeiras, máquina de lavar e tanquinhos) no fim do ano passado. A medida visou estimular a indústria, que reclamava de queda nas vendas.

     A estratégia beneficiou os negócios das lojas de eletrodomésticos em todo o país. Em Minas, o setor ajudou o varejo geral a fechar dezembro com aumento de 1,6%, em relação ao mês anterior. O percentual pode parecer baixo, mas está bem acima do índice da média nacional, que apresentou alta suave de 0,3% na mesma base de comparação. Ainda comparando dezembro com novembro, as vendas no setor de tecidos, vestuário e calçados subiram 0,9% no país. Para este ano, a estimativa do segmento é ainda maior. O subgerente da loja Pé de Mulher, Anselmo Silva, conta que ao longo de 2011 as vendas foram 10% maiores do que as de 2010. “Para 2012, a estimativa é crescermos aproximadamente 20%”, revela.

     

    Mantega ‘rema’
    a favor de 4,5%

     

    Brasília – Apesar do intenso tiroteio da oposição e de já ter conversado com a presidente Dilma Rousseff sobre a sua possível saída do governo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez questão de ressaltar ontem que continua firme em suas funções. Ao ser questionado pelo Estado de Minas se continuará no comando da equipe econômica, ele afirmou: “Vou, sim, continuar remando (a economia) como tenho remado já há seis anos”. E emendou: “Temos o desafio de remar contra a corrente enquanto o mundo inteiro está desacelerando, inclusive os países emergentes”. Ele destacou ainda serem “piadas de mau gosto” as notícias sobre seu pedido de demissão.

    Na avaliação de Mantega, a China, principal parceiro comercial do país, terá incremento menor neste ano do que em 2011 e o mesmo ocorrerá com a Índia. O Brasil, no entanto, dará um salto maior neste ano do que no anterior. “Vamos perseguir um aumento de 4,5% para o PIB (Produto Interno Bruto)”, ressaltou. Para o ministro, esse resultado é perfeitamente factível. “Antes, tínhamos dito que, se a crise fosse solucionada, o crescimento seria de 5%. Mas, se a crise persistir, o resultado será de 4%. Decidimos que 4,5% é uma margem adequada para perseguirmos.” Para Mantega, o Brasil tem hoje uma vantagem. “Temos um mercado interno forte.” Pelas suas contas, a economia brasileira será capaz de criar, neste ano, pelo menos 2,5 milhões de vagas com carteira assinada. Tudo joga a favor do consumo. 

    Estado de Minas 15-02-2012