São Paulo - Embora melhor do que o esperado, o desempenho das vendas no varejo em dezembro está baseado em fatores pontuais e a abertura da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísitcas (IBGE), aponta fragilidades que devem impedir uma melhora consistente do segmento ao longo do semestre. A avaliação foi feita ontem pelo economista-sênior da Franklin Templeton, Carlos Thadeu de Freitas. "Na abertura, não gostamos do dado, com alta concentrada em bens duráveis, enquanto que em bens não duráveis a composição é frágil", disse.
Segundo o IBGE, as vendas no varejo subiram 0,3% em dezembro ante novembro. O número ficou acima da mediana das previsões dos analistas, de zero, encontrada a partir do intervalo entre -0,80% e +0,90%. Também superou a estimativa da Franklin Templeton, que aguardava queda de 0,2%.
Thadeu de Freitas destaca que o grupo dos bens duráveis foi em boa medida favorecido pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos da linha branca, o que ele vê como um fator pontual a segurar esse desempenho. "Tenho uma visão um pouco mais pessimista. ? bem possível que tenhamos mais um ou dois meses de melhora, mas de novo com base em coisas pontuais", afirmou ele, destacando ainda o efeito da entrada em vigor em janeiro do novo salário mínimo de R$ 622 e dos índices de inflação em janeiro abaixo do padrão sazonal.
O economista também vê fragilidade no segmento de crédito, que foi um dos pontos a colaborar para o desempenho do comércio em 2011, juntamente com o aumento do nível da renda e o mercado de trabalho aquecido. "Dado que o crédito em dezembro caiu um pouco para pessoa física, isso pode não perdurar nos próximos meses", salientou. (AE)
Diário do Comércio 15-06-2012