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fevereiro

  • 14 de fevereiro

    NRF 2012: a vez dos emergentes

             

    Em janeiro de 2012, tive a oportunidade de participar da 101ª edição do maior evento de tecnologia e varejo do mundo - a NRF em New York. Hoje, compartilho com vocês um pouco do que vi e aprendi lá, começando pela forma como o Brasil foi retratado e concluindo com peculiaridades sobre a China que todo empresário deve passar a conhecer.


    Brasil fazendo bonito - Este ano, o Brasil posou "na foto" como a sexta maior economia do mundo, passando a Inglaterra. Tivemos também a participação de vários executivos como palestrantes da NRF2012. Especial destaque para as palestras do Flávio Rocha, das Lojas Riachuelo e Frederico Trajano, do Magazine Luiza, ambos discursando em inglês perfeito. E, ambas as palestras, com capacidade da sala mais do que esgotada, não dava nem para ficar em pé.

    Flávio Rocha falou do investimento que fará de USD 200 milhões para abertura de 60 novas lojas e reforma de 175 já em operação. Adicionalmente deverá estrear a versão virtual e verticalizar a operação. Flávio Rocha disse que o aumento do poder aquisitivo das 50 milhões de mulheres da Classe C faz com que elas possam exercer seu "sonho de cinderela".

    Frederico Trajano apresentou a iniciativa de Social Commerce do Magazine Luiza, ainda em fase de piloto e acesso restrito para um pequeno número de pessoas. Trata-se de uma plataforma onde qualquer internauta poderá criar sua própria loja on-line com produtos do Magazine Luiza e hospedá-la no Orkut ou Facebook para divulgar para seus amigos. A cada venda, ele recebe uma comissão e toda a logística de pagamento e entrega é gerenciada pelo Magazine Luiza.


    A China - A China impressiona pelos números e pela velocidade que as coisas estão acontecendo lá.

    Segundo o Forrester Research, o mercado de varejo on-line da China crescerá de USD 72 bilhões em 2011, para USD 95 em 2012 e USD 160 em 2015. Contudo, os consumidores continuam usando celulares convencionais (não smartphones) e não existe uma expectativa de mudança a curto prazo pela cultura das pessoas. Apenas para comparação o mercado de varejo online do Brasil crescerá de USD 10 bilhões em 2011 para USD 14 em 2012 e USD 19 em 2015. Sendo que o Brasil representará mais de 50% do varejo on-line da América Latina.

    Em muitos aspectos o Brasil e a China tem similaridades. Na China, por incrível que pareça, eles falam muito do "Chinese way to do business" idêntico ao nosso "jeitinho brasileiro". As regras e leis são complexas e confusas. Para ter um website na internet a empresa tem que ter uma licença especial. De maneira geral os consumidores on-line, tanto da China quanto do Brasil, estão nas regiões metropolitanas, compram de websites nacionais e procuram frete baixo ou de graça. Nos dois países, existe um grande número de usuários de celulares pré-pagos.

    Angela Kapp, vice-chairman da Luxury Club (chamada na China de Hui She Shang), deu um show em mostrar como uma marca londrina conseguiu autorização para ser a primeira marca de luxo na China e as dificuldades de iniciar um negócio naquele país. Segundo ela, existem aspectos importantes que uma empresa deve aprender antes de ir para a China:

    1. Billions & Billions - Tudo na China é gigantesco. Geograficamente tem o mesmo tamanho dos USA, mas com 1,3 bilhão de habitantes (4 vezes mais do que os USA). Tem 20 cidades com mais de 10 milhões de habitantes (a cidade de São Paulo tem 11 milhões) e 600 cidades com mais de 1 milhão de habitantes. Não existe, contudo, um varejista com cobertura nacional.

    2. TaoBao - Os 20 maiores varejistas, juntos, tem 8,4% do mercado. Os principais players de comércio eletrônico são TaoBao, PaiPai, TMall e 360Buy - todos nacionais. Não existe Facebook na China, mas sim versões chinesas do Facebook (Qzone, Sina Weibo, Tencent e Youku). TaoBao é a subsidiária do Alibaba e conta com 370 milhões de usuários. Segundo a lei na China um consumidor só poderá ser debitado de sua compra quando fizer a autorização para isto. O consumidor entra no site, compra e recebe o produto junto com o pedido de permissão de débito, se o consumidor está satisfeito autoriza o débito e o fornecedor recebe o dinheiro.

    3. Shang Xia - ? a marca chinesa da Hermés, mas também expressa "diferenças". A China é um país que esta erguendo grandes prédios e metrópoles, mas ainda tem "lojinhas de fundo de quintal" e um monte de carrocinhas com tralhas empilhadas que são usadas para transporte ou venda de mercadoria. E os consumidores têm a cultura de compras nestas pequenas lojas com artigos pendurados na porta ou largados na calçada. Enquanto uma pequena parcela da população se veste com marcas famosas, a maioria das consumidoras chinesas sequer usa maquilagem, por cultura.

    4. Control Business Loosely - Empreendedorismo faz parte da política do partido (governo) que quer que o país cresça e ganhe muito dinheiro. Contudo, não é aconselhável abrir uma subsidiária atrelada ao negócio no país de origem. ? melhor abrir uma nova empresa (WFOE - Wholly Foreign Owned Enterprise), com nova marca e criar uma espécie de firewall entre a matriz e este novo negócio.

    5. Cash is King - A cultura é pagar tudo em dinheiro. Apenas 15% das pessoas têm cartão de crédito. Alipay é o principal fornecedor de meios de pagamento com 200 milhões de contas, mas o comércio eletrônico está limitado por conta de falta de cartões de crédito ou outros meios de pagamento. Preço é um quesito fundamental para todos os consumidores chineses.

    6. Brand is Queen - O aumento do poder aquisitivo desperta para o interesse em comprar marcas reconhecidas originais. A falsificação de marcas é algo comum, mas os consumidores começam a buscar qualidade e produtos originais.

    7. Logistics & Fullfillment - Um dos grandes desafios é logística e distribuição. A 360Bye, por exemplo, tem mais de 14 Centros de Distribuição cobrindo 200 cidades.

    8. Propriedade Intelectual - Esquece!

    (Dagoberto Hajjar trabalhou 10 anos no Citibank em diversas funções de tecnologia e de negócios, dois anos no Banco ABN-Amro, e nove anos na Microsoft exercendo, entre outros, as atividades de diretor de Internet, diretor de Marketing e diretor de Estratégia. Atualmente, é diretor da Advance - empresa de planejamento e ações para empresas que querem crescer).

    Diário do Comércio 14-02-2012