Sônia: vendas abaixo do esperado devido a clientes com orçamento apertado
O Carnaval deste ano não está tão empolgante quanto o anterior para os lojistas que vendem fantasias e acessórios. Às vésperas da folia, a saída desses produtos é até 40% menor do que em 2011, em alguns estabelecimentos. Há comerciantes que já pensam em lançar promoções para evitar estoques após a festa.
Segundo a gerente do Departamento de Economia da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio), Silvânia Araújo, a primeira explicação para a queda das vendas é a data em que o Carnaval caiu. Como a festa será na segunda quinzena do mês, os consumidores ficam descapitalizados e investem menos na folia.
Além disso, sempre que o evento ocorre no primeiro bimestre, não dá tempo de os foliões se refazerem de gastos do início do ano, como IPVA e IPTU e a compra de material escolar. Em 2011, o Carnaval foi em março, o que colaborou para que o consumidor gastasse muito mais com a diversão.
O impacto disso na Loja dos Enfeites são vendas 40% menores do que as do ano passado. Segundo a gerente Sônia Rodrigues, o tíquete médio das compras também sofreu redução. Enquanto em 2011 a maior procura foi por fantasias completas e caras, neste ano a preferência tem sido por acessórios mais baratos, como máscaras, óculos, capas e gravatas.
“Como as pessoas estão com menos dinheiro, preferem compor um visual com um item do que montar toda a fantasia. O brasileiro é tão festeiro que uma flor diferente no cabelo já é suficiente para a animação estar completa”, afirma a gerente.
Outra questão que impactou negativamente as vendas foi a menor procura por parte das prefeituras do interior do Estado. No ano passado, cerca de dez cidades compraram enfeites para as festas de rua na loja. Em 2012, porém, apenas quatro buscaram artigos de Carnaval no estabelecimento.
Para Sônia, a explicação para a demanda mais enxuta está nos prejuízos que os municípios sofreram em decorrência das chuvas de janeiro. “Muitas prefeituras cancelaram as encomendas porque haverá menos dinheiro para o Carnaval neste ano. A prioridade é a reconstrução das cidades”, afirma.
Já prevendo o movimento reduzido de clientes, o dono da loja Pérola das Rendas, Antônio Cardoso Lopes, comprou um estoque 20% menor do que no ano passado. Mesmo assim, ele acredita que não conseguirá vender tudo em 2012. “Nem parece Carnaval. Estamos vivendo a decadência dessa festa e as vendas estão cada vez menores”, afirma. Segundo ele, há cinco anos os produtos já estavam praticamente esgotados quando ainda faltavam 15 dias para a folia.
Na Loja das Lãs, que também trabalha com artigos carnavalescos, o gerente Lucas Gama Firmino já pensa em liquidar os produtos. Ele explica que, passada a festa, guarda as “sobras” para tentar vender no próximo ano. “O problema é que algumas mercadorias são modismos e quase não saem no ano seguinte. Nesses casos, o prejuízo é certo”. Ele montou um estoque cerca de 15% menor do que no ano passado e contabiliza uma redução de 30% nas vendas frente ao mesmo período.
Já o gerente da loja Rei do Chocolate, Paulo Miranda, espera melhorar a saída de máscaras, óculos e colares carnavalescos na reta final para a festa. “A última semana é a chance que temos de aumentar os negócios. O brasileiro deixa tudo para a última hora e no Carnaval as coisas não são diferentes”, diz.
Na loja de roupas A Infantil, o que salva as vendas das fantasias infantis são as festas em escolas, segundo a gerente Vanilda de Oliveira. Ela explica que as compras voltadas para as brincadeiras de rua estão bem mais fracas em 2012 do que no ano anterior. “Mesmo se estiverem sem dinheiro, os pais nunca vão deixar de vestir os filhos para o bailinho da escola, porque os colegas estarão a caráter”, diz.
Hoje Em Dia 13-12-2012