FOTO: JOÃO GODINHO - 1.12.2011
Indústria e comércio estão de olho no fim do incentivo, em março
São Paulo. Indústria e comércio batem cabeça para manter o abastecimento de geladeiras, fogões e lavadoras de roupa, na contagem regressiva do aumento da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Grandes varejistas informam atrasos de até 20 dias no recebimento desses itens, especialmente no caso de máquinas de lavar. Além disso, fabricantes pressionam por aumentos de preços de até 4%.
A indústria, por sua vez, tenta tirar o atraso nas entregas e trabalha hoje a plena carga, mas com um olho no dia seguinte da volta do IPI. O temor dos fabricantes é que as vendas para o comércio desabem em abril.
Uma parte do aumento do consumo da linha branca se deve ao próprio crescimento das vendas por causa da queda do imposto. Em dezembro 2011, por exemplo, houve uma expansão de 35% nas vendas de eletrodomésticos da linha branca em relação ao mesmo mês de 2010, com volumes recordes nas três categorias de produtos - geladeiras, fogões e máquinas de lavar -, segundo dados da consultoria GFK. Números preliminares do comércio varejista indicam que o ritmo de vendas continuou forte no começo do ano, com aumento de 25% nas vendas em janeiro em relação ao mesmo mês de 2011.
Outra parcela do crescimento da demanda reflete a formação de estoques preventivos das lojas, interessadas em bancar as promoções depois do dia 31 de março, quanto a alíquota do IPI deve voltar para os níveis normais. Grandes empresas do varejo estão antecipando as encomendas para serem entregues em março, já de olho no fim da redução do IPI. Essa combinação de vendas aceleradas com estoques preventivos agrava a situação de escassez de produtos no mercado e abre caminho para aumentos de preços.