É o que revela levantamento da Fecomércio Minas.
RAQUEL GONDIM.
| ALISSON J. SILVA |
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| Para 93,1% dos entrevistados, Copa demandará atenção especial do comércio |
Apesar de ser consenso entre os empresários mineiros do comércio varejista de que a Copa do Mundo no Brasil irá impulsionar o setor, somente uma pequena parcela desses lojistas já está pensando em 2014. A pouco mais de dois anos do mundial, 77,8% dos estabelecimentos do ramo ainda não começaram a planejar investimentos para o período dos jogos.
É o que revela uma pesquisa feita pela Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio Minas) em parceria com o Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e sindicatos da área. A sondagem foi feita com 422 empresários de Belo Horizonte e das 19 cidades do interior do Estado cotadas para atuarem durante o mundial como Centro de Treinamento de Seleções (CTS).
Entre os entrevistados, 93,1% reconhecem que a Copa demanda atenção especial dos setores do comércio de bens, serviços e turismo. Para o assessor de projetos especiais do Senac Minas, Hegler Guimarães, esse dado demonstra que o varejo já tem a devida noção da dimensão do evento. E isso, segundo ele que esteve nos jogos de 2010, representa um avanço dos comerciantes mineiros em relação aos sul-africanos. "Nos andares superiores dos shoppings africanos não havia movimento porque eles não se preocuparam em tornar aqueles ambientes atrativos", exemplifica.
Porém, Guimarães reconhece que a demora dos lojistas em se planejar para a Copa acende uma luz amarela no segmento. Outro dado levantado pela pesquisa, visto como motivo de alerta, é que 58% dos estabelecimentos não pretendem contratar mão de obra extra durante o evento. "Mas ainda temos espaço para aprimorar a visão do empresário", pondera o assessor do Senac.
Planejamento - A gerente do departamento de economia da Fecomércio Minas, Silvânia de Araújo, diz que o principal objetivo do levantamento é sensibilizar o comércio e, assim, intensificar o planejamento.
Entre os consultados, 34,7% afirmaram que o benefício que mais diretamente impactará o comércio varejista durante os jogos será a maior qualificação da mão de obra. Em seguida, aparecem o aumento do fluxo de turistas traduzido em oportunidades de negócios (23,8%) e melhoria na infraestrutura da cidade (20,4%).
A gestão de estoques que possibilita a oferta de preços acessíveis e uma diversificação do mix de produtos foi apontada por 25,7% dos empresários como fator que mais incrementará as comercializações em 2014. Também foram citados ambiente propício para os negócios (19,8%), atendimento diferenciado (17%), trânsito organizado e sensação de segurança nas ruas (16,7%), vitrines temáticas (13,1%) e investimentos em publicidade (7,7%).
Em relação às ações governamentais que poderão influenciar o comportamento das vendas, a medida entendida como prioritária pelo comércio é a maior fiscalização aos produtos piratas. A disponibilização de crédito para investimentos, estímulos fiscais e flexibilização dos horários de atendimentos também foram abordadas.
Já os motivos que poderão prejudicar os resultados são uma má gestão de estoques (24,1%), falta de capacitação dos funcionários (22,7%), problemas de mobilidade urbana (22,6%), fraco desempenho da seleção brasileira (12,7%), percepção de insegurança (10,2%) e feriados nos dias de jogos (7,7%).
A questão dos estoques foi apontada por Guimarães como outro erro dos sul africanos que o Brasil não deve repetir. Ele diz que mesmo com o superaquecimento da demanda e com as baixas temperaturas, as adegas de muitos restaurantes estavam vazias.
Conforme a sondagem, 75,8% dos varejistas planejam adequar seus estoques a uma maior pressão de vendas. Nesse sentido, as empresas irão se preparar para aumentar o volume de itens disponíveis (30,2%), criar um planejamento especial de estoques para a Copa (25,2%), diversificar os itens ofertados (23,9%) e criar kits de itens específicos para a competição (20,7%).
E embora parte dos lojistas temam possíveis feriados nas datas dos jogos, 53,7% são a favor de paralisação nos dias das partidas da seleção brasileira. Até mesmo porque, para 71,3% deles, as vendas do comércio serão prejudicadas quando o Brasil estiver em campo.
Outro dado que merece atenção é a capacitação dos funcionários. Guimarães lembra que em 2010, a contratação foi improvisada em muitos casos e que a falta de preparo foi percebida pelos turistas.
Contudo, a sondagem mostra que Minas Gerais não deverá estar livre dos improvisos. Isso porque, de acordo com 57,5% das pessoas consultadas, as ações específicas para 2014 devem começar somente em 2013, no início da Copa das Confederações. Já medidas próprias para a Copa das Confederações devem ser deixadas de lado por 72,3% dos lojistas, outro fator preocupante. Isso especialmente considerando a expectativa de que, pelo menos, um quarto do público que virá ao Brasil no ano do mundial, esteja no país em 2013.
Diário do Comércio 09-02-2012