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fevereiro

  • 08 de fevereiro

    Savassi Aluguel comercial sobe até 120%

             

     

    Lojistas da região reclamam dos reajustes, inflacionados pelas obras de revitalização.
    DOUGLAS COUTO.
     

    ALISSON J. SILVA
    Além do prejuízo com as obras, os lojistas se deparam agora com reajustes de até 120% nos aluguéis
    Além do prejuízo com as obras, os lojistas se deparam agora com reajustes de até 120% nos aluguéis

     

    Após registrarem prejuízo durante quase um ano, com queda de até 40% nas vendas, devido às obras de revitalização da Savassi, na região Centro-Sul da Capital, os lojistas enfrentam agora a especulação imobiliária, que elevou em até 120% o preço dos aluguéis, antes mesmo da conclusão dos trabalhos, que deve ocorrer em abril.

    Antes mesmo do início das obras, o valor da locação dobrou", diz o empresário Alex Fantini, proprietário há mais de três décadas de uma joalheria na avenida Getúlio Vargas. Segundo ele, o aluguel, que há dois anos era de R$ 1,5 mil, passou para R$ 3,3 mil, o que corresponde a um reajuste de 120%.

    O impacto maior nos negócios, no entanto, o empresário espera sentir a partir do ano que vem, com a renovação do contrato de sua loja. "O reajuste é inevitável, mas os donos dos imóveis poderiam pelo menos esperar os comerciantes recuperarem um pouco as perdas, dando um prazo maior antes impor esses aumentos", diz Fantini.

    Outro estabelecimento comercial prejudicado pelas intervenções na Savassi é o Lar dos Presentes, instalado há 12 anos na região. Além da queda de até 40% nas vendas nos últimos meses, o gerente Cássio Torquetti reclama do reajuste de 30% no aluguel, que subiu de R$ 5 mil para R$ 6,5 mil. Segundo ele, o aumento aconteceu no começo das obras, quando se falava que a revitalização daria "cara nova" ao bairro.

    O novo contrato vence no final deste ano e Torquetti não consegue prever o percentual de reajuste. Para renovar o aluguel na região, segundo o gerente, o comerciante deve estar disposto a pagar o aumento exigido ou correr o risco de ficar sem o ponto.
     

    ALISSON J. SILVA
    As obras de requalificação da Savassi devem terminar em abril, mediante investimento de R$ 10,41 mi
    As obras de requalificação da Savassi devem terminar em abril, mediante investimento de R$ 10,41 mi

     

    "É um absurdo o que estão fazendo. Os donos dos imóveis simplesmente chegam, dão o preço e avisam: se não quiser pagar, tem quem pague. Se não fosse a tradição da nossa marca, que está há anos no mercado, certamente não teríamos forças para sobreviver e pagar esse preço", afirma Torquetti.

    Na avaliação do proprietário da franquia da Cacau Show, João Bosco, essa sobrevalorização é um movimento especulativo. No caso de sua loja, o valor do aluguel, que hoje é de R$ 5 mil, deverá ser revisto em dezembro. Embora admita que haja a expectativa de valorização do comércio da região, ele diz que ainda não é possível prever o que irá acontecer após o fim dos trabalhos de revitalização.

    "É normal esse realinhamento de preços após as obras. O problema é quando há abuso. Infelizmente, nesse jogo, os inquilinos estão desamparados, nas mãos dos locatários, que impõem o preço que lhe é conveniente", denuncia Bosco.

    O empresário José Mendes Lakitini, da Ótica Savassi, engrossa a lista dos que estão preocupados com o novo aumento do aluguel, que já foi reajustado em 25%, passou para R$ 2,5 mil e sofrerá outro reajuste em novembro. "Esperamos que o fato de estarmos no mesmo ponto há 20 anos nos credencie, no mínimo, a tentar negociar com a locatária. O que tem ocorrido com os lojistas do entorno da praça da Savassi é a aplicação de aumentos abusivos. Se continuar desse jeito, não teremos condições de sobreviver no mercado", alerta Lakitini.

    A presidente da Associação dos Lojistas da Savassi (Alsa), Maria Auxiliadora Teixeira, confirma que a especulação imobiliária está obrigando os comerciantes a deixar a região. Conforme já publicado pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, a locação comercial na região está custando de R$ 80,00 a R$ 150,00 o metro quadrado, perdendo apenas para o centro da Capital, nas regiões entre a avenida Paraná e a praça Sete, onde os valores chegam a R$ 200,00 o metro quadrado. "Alguns aluguéis mais que dobraram de preço, sob o argumento de que as obras vão valorizar a região. O problema é que estamos de mãos atadas, o comércio continua ruim e somos surpreendidos com reajustes altíssimos", diz.

    Segundo informações da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), serão investidos R$ 10,41 milhões na requalificação da Savassi. Os trabalhos consistem no alargamento e elevação das travessias de pedestres, novo desenho de piso no cruzamento das avenidas Cristóvão Colombo e Getúlio Vargas e extensão da praça nos calçadões, entre outras intervenções.
    Diário do Comércio 08-02-2012