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| Com perfil empreendedor, Pedro Paulo lança em abril marca de roupa social feminina que vai agitar o mercado |
Um conselho e uma visão determinaram o futuro e o caminho a seguir na vida. Pelo pai, Pedro Paulo Drummond, foi orientado a ter um trabalho que estivesse no comando, ter as rédeas na mão. Melhor não ser empregado. Já o seu olhar diante do mercado o levou a enxergar que um bom terno é capaz de transformar um homem. Com essa base e a segurança de quem não teme desafios, Pedro Paulo Drummond, o filho, nos conta a trajetória louvável da empresa que fundou há 11 anos, a Cia. do Terno, que conquistou o mercado de moda masculina sustentada por duas diretrizes: produto de qualidade e preço justo.
O economista-administrador que se tornou empresário, mas se descobriu comerciante, é um vencedor. A prova está nos números. Este ano, a Cia. do Terno vai vender sete milhões de peças de roupa. Isso significa, numa conta rápida, que “pensando na compra de duas peças, se tivermos 100 milhões de homens no Brasil, de cada 30, um vai me comprar”. Hoje, a empresa tem 148 lojas em 22 estados brasileiros e no Distrito Federal e 1,5 mil funcionários: “Não imaginava. Meu pai não viu esse meu estágio e gostaria que tivesse tido a chance porque, por acaso, ele era um homem que amava terno. A vida me indicou o caminho. Foi difícil aceitar não ser mais economista. A ficha caiu e me tornei comerciante”.
Até alcançar esse patamar, obstáculos foram superados. Pedro Paulo é mineiro de Belo Horizonte, casado com Mônica e pai de Pedro e Júlia. Tem quatro irmãs, perdeu um irmão e “graças a Deus todos nos damos muito bem”. Graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (Ufmg), não seguiu o ramo do pai, que trabalhava na área de engenharia de construção. Mas seguiu o conselho e herdou as características: “Meu pai era ativo, empreendedor, irrequieto e me passou a importância de construir uma vida independente, ser meu próprio patrão”.
Pedro Paulo começou a trabalhar aos 17 anos e teve vários empregos até se deparar com dois patrões que contribuíram para direcioná-lo: “Stefan Bogdan Salej, na época presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), e Ricardo Santiago, diretor da indústria de tecido Mano Cachoeirinha, onde aprendi sobre tecido e decidi abrir um comércio de venda para varejo de tecido para o interior e tecido de modinha para confecções de Belo Horizonte”. Ele começou como atacadista pequeno e chegou a ser médio. Não parou mais. Com sangue de empreendedor nas veias, teve a ideia de abrir uma confecção de moda feminina ao lado da mãe, Terezinha Paixão Drummond, da irmã Angêla e de Mônica, a Raro Efeito: “Na época, 20 anos atrás, não sei se fomos os primeiros, mas certamente um dos pioneiros a fabricar as próprias roupas da loja”. Passados seis, setes anos ele conta que surgiu a oportunidade de participar da sociedade da Art Man, confecção de outro patamar, comandada por Márcia Correia e Luiza Magalhães: “Onde aprendi mais sobre tecido, comércio de atacado, tecido de moda, roupa feminina e bastante da masculina”.
Um dia, Pedro Paulo sugeriu a Márcia investir em um produto voltado para o pessoal mais simples. Acabou que saiu da sociedade e fundou a Cia. do Terno: “Na época, percebi que muita gente não tinha dinheiro para comprar um terno, apesar da demanda. Desde então, inauguramos mais de uma loja por mês”. A estratégia do preço baixo foi certeira: “Em 11 anos de mercado, se você pegar a inflação acumulada no Brasil vai dar alguma coisa em torno de 140, 150% . O nosso terno começou com R$ 89 e hoje está R$ 99, ou seja, 11%”. Na verdade, Pedro Paulo enxergou a classe C antes dela se tornar desejada pelo mercado: “Não foi a visão de um cara muito aculturado. Foi percepção, nada de altos estudos e pesquisas. Era uma classe que estava tendo cartão de crédito e melhores salários. Abrimos a primeira loja no Minas Shopping em 2000, deixei a Art Man, a Raro Efeito e fechei o negócio de tecido. E não houve briga, tanto que Bernardo, filho da Luiza, está comigo há 11 anos, e o Marquinhos, da Márcia, também veio”.
Pedro Paulo conta que tem sócios, equipe e gerentes a quem agradece diariamente. Hoje, ele se diz um mero coordenador: “Gosto do que faço e de participar de tudo, mas infelizmente hoje tenho 32 lojas que não conheço. O que me dá uma tristeza. Apesar de não ser um grande vendedor, gosto de estar presente”. O que não significa trabalhar menos. Ele lidera um negócio que “do ramo do vestuário somos a maior empresa com sede no estado de Minas Gerais em faturamento e no pagamento de impostos estaduais e federais há seis anos seguidos”.
Aliás, há seis anos consecutivos Pedro Paulo faz pesquisa de segmentação: “No levantamento de 2011, chegamos aos seguintes números: 18% do nosso cliente é da classe A, 39 é da B, 36, 5 é da C e o restante D e E. Acho que estamos conseguindo seguir esse pessoal. Como eles, vamos mudando e melhorando. Recentemente, entramos numa linha que é outra onda. Replicamos o modelo permanecendo no mesmo nicho de mercado, mas oferecendo uma camisa de algodão com fio 50, 60 e um terno super 100 pagando um preço que é metade ou um terço do real. Estamos até fazendo uma plástica nas lojas, melhorando-as visualmente”. Cada loja vende linha adulta e infantil (de 6 a 16 anos) de terno, camisa, cinto, gravata, meia, sapato e até cueca.