Lojas do ramo fecham as portas.
RAQUEL GONDIM.
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| A proprietária do Via Marília Antiquário, Ângela Randazzo, lamentou o fechamento de lojas na região |
Lidar com um mercado completamente imprevisível em que, ao contrário de outros setores, a conjuntura econômica tem pouca relevância é o grande desafio dos antiquários. Mesmo em Lourdes, bairro da região Centro-Sul da Capital, reconhecido por colecionadores como polo das antiguidades, esse segmento tem andado a passos lentos. Prova disso é o constante fechamento de lojas do ramo, que cedem cada vez mais espaço para bares e restaurantes.
A proprietária do Via Marília Antiquário, localizado nas proximidades da praça Marília de Dirceu, Ângela Randazzo, diz que embora o bairro de Lourdes ainda seja tido como referência na área, o segmento vem perdendo força na região. "Antes havia muitas outras lojas que fecharam ou mudaram de endereço. Hoje Lourdes é reconhecido como polo gastronômico", lamenta.
No Via Marília, o produto mais caro à venda no momento é um lustre de cristal de R$ 6,5 mil. Entre os adornos, há relíquias como pequenas peças do século XVII. Segundo a dona do estabelecimento, a imprevisibilidade que ronda o setor é tamanha, que é impossível estimar como será o ano de 2012. Porém, um fato é concreto: esse é um mercado em retração.
A empresária à frente do Antiquarium, na rua Professor Antônio Aleixo, Marília Rezende concorda. Ela que mantém com o irmão o negócio inaugurado pela mãe há mais de 40 anos, não vê muitas possibilidades de expansão para o ramo. Conforme Marília Rezende, as dificuldades vão desde os processos de aquisição dos produtos até a hora da venda.
Manter um estoque já é um gargalo, considerando o complicado acesso às antiguidades. E a comercialização fica muito nas mãos de colecionadores, até por falta de conhecimento do público convencional. "Às vezes uma pessoa compra uma cadeira nova por R$ 2 mil e nem imagina que pode comprar uma raridade por R$ 500", exemplifica.
Diversificação - Outro entrave é o fato de ao contrário do comércio convencional, os antiquários não terem como se apoiar em períodos de vendas aquecidas, como o Natal. Com isso, a ideia dos irmãos à frente do Antiquarium é inclusive diversificar os negócios. Atualmente, a loja já comercializa obras de arte popular vindas de regiões mineiras como o Vale do Jequitinhonha.
O ponto de venda pode ser tratado como uma exceção por se manter em funcionamento diante de um cenário tão desfavorável. Marília Rezende conta que pelo menos quatro lojas do segmento fecharam as portas em Lourdes nos últimos dois anos. No momento, conforme ela, o bairro conta com cinco empresas do setor.
Entre os móveis e adornos em exposição no Antiquarium, a peça mais valiosa é um oratório do século XIX comercializado por R$ 10 mil. Já os fragmentos da cabeça de uma Nossa Senhora datados do século XVII, peça mais antiga da loja, podem ser adquiridos por R$ 1 mil.
Há 47 anos em funcionamento, a Art Antiguidades se mantém graças à fidelização de seus clientes. "São pessoas de bom gosto, que amam arte e conhecem o preço desse mercado", define a proprietária, Leila Saffi de Mendonça. Assim como as outras empresárias consultadas pela reportagem, ela trabalha sozinha e explica o caráter imprevisível do negócio. "Neste setor nós não sabemos que dia iremos vender. De repente, eu posso fechar um ótimo negócio".
Conforme ela, os preços e segmentos de produtos são muito variados. Atualmente, a peça mais valiosa é uma floreira de prata portuguesa comercializada por R$ 6 mil.