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fevereiro

  • 06 de fevereiro

    Franquia fica 82% mais cara em 3 anos

     

    Lucro.Faturamento dos franqueados cresceu 25%
    Supervalorização do ponto e reformas elevam valor inicial do investimento
    ANA PAULA PEDROSA
     
     
    FOTO: CASA DO NOTEBOOK/DIVULGAÇÃO
    Investimento. Para driblar custo de aluguel, a Casa do Notebook trocou shoppings por lojas de rua
     
    Abrir uma franquia no Brasil ficou 82,4% mais caro de 2008 para 2011. O investimento médio para instalação subiu de R$ 114.386 para R$ 208.729. A pesquisa é da Rizzo Franchise e, segundo o diretor da empresa, Marcus Rizzo, não significa que uma mesma franquia quase dobrou de preço. Ele explica que o estudo se refere à média do mercado. "Aumentou a demanda por negócios que exigem investimentos maiores", explica. Um exemplo é a expansão do setor hoteleiro. A instalação de um hotel custa, em média, R$ 1,4 milhão, enquanto um fast food sai por R$ 208 mil.

    Além da mudança de perfil do mercado, outros fatores influenciam na alta do investimento. Um deles é o custo do ponto, que subiu muito nos últimos anos. "Existe uma supervalorização do ponto", diz o diretor da Associação Brasileira de Franchising em Minas Gerais (ABF), Aristides Newton. A proprietária da Onodera, especializada em estética, Lucy Onodera, conhece essa realidade. "O custo da mão de obra para reforma de um ponto dobrou nos últimos anos", diz.

    Com isso, o investimento necessário para abrir uma franquia também subiu e está na casa dos R$ 35 mil, no mínimo. Além do gasto com o imóvel, pesaram também algumas mudanças na padronização da marca, que ficou mais sofisticada.

    O peso na hora de abrir o negócio é compensado, em parte, pela alta no faturamento. Em 2011, cada unidade faturou, em média, 25% a mais do que no ano anterior. A alta aconteceu em razão a melhoria de renda da população, que passou a procurar mais serviços de estética. Neste ano, a marca vai inaugurar mais dez unidades, sendo duas em Minas Gerais.

    Valorizadas. O setor de franquias vive um bom momento e deve crescer 15% neste ano, segundo a ABF. Em Minas Gerais, o percentual pode chegar a 20%, pelo perfil dos investimentos que o Estado vem recebendo, diz Newton. Ele afirma que o crescimento da economia e a melhoria na renda são os fatores determinantes para alavancar o negócio. A proximidade da Copa do Mundo também vai impulsionar alguns setores, como o de turismo e ensino de idiomas.

    Newton diz que, à medida que as marcas se valorizam, a taxa de franquia também cresce, mas o retorno aparece no faturamento. A Casa do Notebook, por exemplo, reajustou em 20% a taxa em 2010. Desde então, o valor permanece o mesmo e o investimento mínimo no negócio é de R$ 65 mil. O diretor da empresa, Paulo Castanho, explica que os outros custos, principalmente com imóveis, subiram mais e, para equilibrar o investimento, a empresa optou por deixar os shoppings e se instalar em lojas de rua, que têm preço mais acessível. O plano é abrir dez unidades em 2012, metade delas em Minas Gerais.

     

     

     

     
    FOTO: NODERA/DIGULGAÇÃO
    Para Lucy Onodera, o maior peso é o custo com reforma do ponto
     
    Força
    Franquias têm menor taxa de fechamento
     
    A mortalidade entre as franquias é bem menor do que entre as micro e pequenas empresas que não são ligadas a uma marca forte, diz o economista da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio Minas), Gabriel de Andrade Ivo. Ele explica que o franqueado já recebe produtos e processos testados pelo mercado e orientação para gestão da empresa e contratação de pessoal, o que faz da franquia um bom negócio.

    Ivo alerta, porém, que, para ser bem sucedido, o empreendedor tem que se identificar com o ramo de atuação e se dedicar ao negócio, além de fazer um bom planejamento financeiro. (APP).
    O Tempo 05-02-2012