FOTO: CRISTIANO TRAD/12.9.2011
Há vagas. Vários setores estão procurando trabalhadores em Belo Horizonte; cidade tem a menor taxa de desemprego do país
O desemprego do Brasil ficou em 10,5% no ano passado. Em Belo Horizonte, fechou o mês de dezembro em 5,2%, a menor taxa da história. A média de 2011 ficou em 7%, também o menor índice entre as sete capitais pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). No acumulado dos últimos 12 meses, foram gerados na região 59 mil novos postos de trabalho, saldo quando se compara as admissões e as demissões, o equivalente a população do município mineiro de Pedro Leopoldo.
O índice de dezembro é o menor da série histórica calculada pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), iniciada em 1996, e medida pela Fundação João Pinheiro em parceria com o Dieese.
Ainda de acordo com a pesquisa, entre a População Economicamente Ativa (PEA), o número de desempregados foi estimado em 170 mil pessoas. Já o número de ocupados é de 2,26 milhões de pessoas.
Segundo o coordenador técnico da pesquisa, Plínio de Campos, o índice anotado em Belo Horizonte é praticamente de pleno emprego. "Claro que o esforço governamental é sempre no sentido de gerar mais empregos, mas estamos próximos do patamar de utilização plena da mão de obra disponível". Segundo ele, "o objetivo de geração de emprego foi alcançado, agora a meta é melhorar a qualidade do emprego".
Renda. Apesar da pouca oferta de profissionais, o rendimento real médio dos ocupados não subiu. Pelo contrário. Em 2011, o rendimento real médio do trabalhador de Belo Horizonte caiu 1,7%, de R$ 1.453 para R$ 1.429.
Dentre os principais setores de atividade econômica, somente o setor de serviços apresentou alta no rendimento médio. O valor cresceu 1% e fechou 2011 em R$ 1.229. Na indústria e no comércio as reduções no rendimento foram de 4,3% e 4,2% respectivamente, e passaram a equivaler a R$ 1.349 e R$ 1.016.
No mesmo período, a inflação acumulada foi de 6,5% no Brasil. Em Belo Horizonte a inflação no ano foi de 7,22%.
A desigualdade na distribuição de renda também segue alta. Os 50% dos ocupados com maior remuneração média concentram 78,1% de toda a renda.
Comércio e serviços sustentam taxa
78 mil
novos postos de trabalho foram abertos nos setores de Comércio e Serviço em Belo Horizonte em 2011
16 mil
vagas foram fechadas no setor de construção civil. A Indústria gerou apenas mil novos postos
Taxa
Desemprego nacional chegará a um dígito
São Paulo. A taxa de desemprego nas sete regiões metropolitanas consultadas na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) deve chegar a um dígito neste ano. A previsão foi dada ontem pelo coordenador da Fundação Seade, Alexandre Loloian, e pelo economista do Dieese, Sérgio Mendonça. "Vamos voltar para a era de um dígito, com taxas de juros de um dígito e de desemprego de um dígito", afirmou Mendonça.
O economista do Dieese afirmou, porém, que as taxas de desemprego devem subir no primeiro trimestre de 2012, por razões sazonais, mas devem voltar a cair ao longo de todo o ano. "Essa previsão de desemprego de um dígito é bem consistente", disse.
De acordo com Mendonça, esse cenário só poderá mudar em caso de uma crise bancária na Europa ou na China. "O país deve crescer entre 3% e 4% neste ano e com a População Economicamente Ativa(PEA) crescendo pouco, como ocorreu em 2011 (de +0,5%), não é difícil que tenhamos um desemprego de um dígito ao final de 2012", afirmou.
O desemprego nas sete regiões metropolitanas pesquisadas pelo Dieese caiu de 11,9% em 2010, para 10,5% no ano passado. O resultado é o menor desde 2009. Segundo a pesquisa, ao longo do ano passado, foram criados 407 mil postos de trabalho.
2012
Metodologia da pesquisa terá mudança
Segundo o coordenador do Observatório do Trabalho, ligado à Secretaria de Trabalho e Emprego (Sete), Igor Coura de Mendonça, os baixos índices de desemprego apontados pela pesquisa vão demandar para os próximos anos uma nova metodologia de trabalho.
"Temos que refinar nossa pesquisa para entender agora quais são as condições de trabalho e remuneração oferecidas", explica. O objetivo, ele diz, "será tentar entender porque algumas pessoas abrem mão de ofertas de emprego para fazer cursos de especialização ou até mesmo para ficarem em casa. É um fenômeno novo". (PG)