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maio

  • 10 de maio

    Venda de retornável já rendeu R$ 2 milhões a supermercados

    Câmara estuda mudar lei para incluir uso de oxibiodegradáveis
     
    ANA PAULA PEDROSA
     
     
    FOTO: DANIEL IGLESIAS - 18.4.2011
    Opção. Sacola de pano custa de R$ 2 a R$ 10 e é tida como principal alternativa ao plástico
     

    Desde março, quando começou a campanha pelo fim do uso da sacola plástica em Belo Horizonte, os supermercados da capital já venderam cerca de 1 milhão de sacolas retornáveis. Vendidas em diferentes tamanhos, materiais e estilos, as embalagens - apontadas pelos empresários como a principal alternativa para o consumidor - já renderam pelo menos R$ 2 milhões aos supermercados.

    O valor foi calculado pela reportagem, tendo como base a cobrança de R$ 2 a unidade, menor preço das sacolas à venda em Belo Horizonte, mas pode ser bem maior, já que existem sacolas sendo vendidas por mais de R$ 10 na cidade. Um cruzamento de diversos dados já divulgados pela Associação Mineira de Supermercados (Amis) mostra que o valor obtido em cerca de dois meses de vendas representa 42,5% do que o setor gastava anualmente com sacolas plásticas.

    Segundo a Amis, Belo Horizonte usava por ano 157 milhões de sacolas plásticas, que custavam R$ 0,03 a unidade. Isso representava um gasto anual de R$ 4,7 milhões, que foi eliminado. A Associação Mineira de Supermercados (Amis) foi procurada, mas não comentou os dados.

    Cartel. Além das sacolas retornáveis, os supermercados vendem também embalagens biodegradáveis, ou compostáveis, por R$ 0,19 a unidade. De acordo com as empresas, o valor é o de custo da embalagem, que é repassado ao consumidor, por isso, o preço é igual em todos os supermercados da cidade.

    O Ministério Público Estadual está investigando se a prática configura formação de cartel ou fere o direito do consumidor, mas ainda não se pronunciou a respeito. O Procon Municipal disse que não encontrou indícios de irregularidade na venda por preço uniforme.

    Em audiência pública na Câmara Municipal, há duas semanas, o superintendente da Amis, Adilson Rodrigues, disse que a cobrança é inevitável, para não repassar o valor aos produtos e penalizar quem optou pela sacola retornável ou outros meios, como levar as compras em caixas de papelão ou nas mãos. "Nós não queremos vender sacola, estamos apenas repassando a preço de custo", disse.

    A recomendação da Amis é que o estoque de sacolas compostáveis seja o equivalente a 20% do total de plásticos usados anteriormente, o que significa 31,4 milhões de unidades por ano. Ao custo de R$ 0,19 a unidade, as compostáveis movimentarão outros R$ 5,966 milhões por ano na cidade.

     
    FOTO: AMAURI NEHN/AE
    Plástico. Manifestantes temem desemprego com fim da sacola nos supermercados de São Paulo
     
    Mercados
    Acordo vai tirar plástico de São Paulo
     

    SÃO PAULO. O Estado de São Paulo pretende banir as sacolas plásticas nos supermercados até 25 de janeiro de 2012. A medida não será implantada por meio de lei, como em Minas Gerais, nem valerá em todo o comércio. O acordo foi assinado ontem pelo governador Geraldo Alckmin e pelo presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), João Galassi. "Ou o setor se aproxima da sustentabilidade ou será acusado de omissão", disse Galassi.


    Está previsto um cronograma de ações progressivas até cessar a distribuição das sacolas. A primeira etapa começará no dia 5 de junho, com anúncio para todos os supermercados do Estado. No dia 22 de setembro, começará a campanha midiática para o consumidor, que será intensificada em 22 de novembro e reforçada em janeiro.

     
     
    Restritivo
    Autor da lei quer mudar o decreto
     

    O vereador Arnaldo Godoy (PT), autor da "Lei da Sacola", quer mudar o decreto do prefeito Marcio Lacerda que autoriza apenas o plástico compostável em Belo Horizonte. Ele protocolou ontem na Câmara Municipal um projeto de resolução para liberar também o uso de sacolas oxibiodegradáveis e de outras alternativas ecológicas que venham a surgir. "A lei é ampla, mas o decreto é restritivo", diz.

    As sacolas oxibiodegradáveis custam seis vezes menos que as compostáveis e já eram usadas em parte do comércio da cidade. Godoy explica que, se aprovado, o projeto passa a valer imediatamente, sem precisar de sanção do prefeito. A expectativa dele é que o tema seja votado no próximo mês.

    O vice-presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Belo Horizonte (Sindilojas), Paulo Cançado, comemorou. "É uma notícia excelente para o comércio", diz. O vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL-BH), Marcelo Souza e Silva, diz que pequenos varejistas estão com dificuldades em arcar com o custo da sacola compostável.
    A prefeitura e a Associação Mineira de Supermercados (Amis) não comentaram a medida. (APP)
    O Tempo 10-05-2011